Passageiro xingou comissário de bordo de “viado” após pedido para que colocasse a poltrona na posição correta para decolagem

Qualquer pessoa que já viajou de avião tem plena consciência da necessidade de colocar sua poltrona na posição vertical durante pousos e decolagens. Ocorre que na mesma lógica todos temos consciência que no mundo sempre encontramos pelo caminho um ser ignorante, sem educação e que se acha superior ao restante das pessoas, desrespeitando-as sem qualquer plausibilidade.

Isso aconteceu no último dia 14 de setembro, no voo de número LA3333 de São Paulo para Fortaleza, quando um passageiro foi orientado para que voltasse seu assento para a posição vertical visando sua segurança, pois a aeronave ia decolar. Foi quando o indivíduo se exaltou e chamou o comissário, que estava trabalhando e cumprindo seu dever profissional, de “viadinho de bosta”.

Claramente ofendido pelo ato homofóbico, mas sem revidar, o tripulante relatou o ocorrido ao Chefe de Cabine, que ao questionar o passageiro foi igualmente ofendido.

Acionado o comandante, que é responsável pela aeronave e equipe de tripulantes, chamou a Polícia Federal que entrou na aeronave, removeu o passageiro e o deteve. O nome do passageiro homofóbico não foi divulgado.

Em julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a homofobia foi igualada ao crime de racismo com pena prevista de um a três anos, podendo chegar a cinco em casos mais graves.

Assim, festeja-se a atitude de união da equipe da Latam e providências imediatas de seu comandante ao acionar a polícia contra a intolerância de uma pessoa sem respeito ao próximo, seja ele homossexual ou não. Como bem lembrou o atual presidente do STF, ministro Luiz Fux, “delitos homofóbicos” são tão alarmantes quanto a violência física e “jamais se imaginou que um ser humano poderia ser alvo dessa discriminação e violência”.

Assusta pensar que pessoas são capazes de ofensas tão horríveis, mas acalenta ver que o apoio veio num belo conjunto de profissionais.

Por menos dias como o enfrentado por essa tripulação, mas por mais união como a que eles demonstraram frente ao preconceito.


Janaina Ramon é advogada trabalhista e sócia de Crivelli Advogados