O home office, prática de trabalho cada vez mais difundida no mundo, é a consequência do avanço tecnológico das últimas décadas. Juridicamente falando, houve a aparição da modalidade “teletrabalho” na legislação trabalhista, antes não regulamentada. Essa nova forma de trabalho foi inserida em 2017 Reforma Trabalhista, que introduziu uma série de mudanças na CLT.

A concepção que tínhamos de que era necessário ir até o escritório para trabalhar mudou completamente. Fato este comprovado por outro impulsionador do home office e que o tornou ainda mais comum: a pandemia de Covid-19.

Com a chegada da pandemia, a adoção do home office passou a ser uma necessidade, dada a importância do isolamento social para minimizar a possibilidade de transmissão do coronavírus.

Assim, se forçou o movimento de transferência de toda a estrutura de trabalho para a casa do colaborador. Sem que a pandemia recrudesça no nível que se desejava inicialmente e com as muitas incertezas quanto ao futuro próximo, muitas empresas já consideram manter o modelo de home office, mesmo com a retomada da normalidade, quando vier, dadas as muitas vantagens observadas nesse período em que o trabalho remoto passou a ser necessário.

Por isso, é importante conhecer os principais modelos de trabalho remoto, que melhor se adaptam a cada necessidade:

a) Escritório totalmente remoto

Este modelo de trabalho consiste em realizar suas atividades, sem precisar se deslocar ao escritório. Obviamente, este tipo de modelo só pode ser contemplado por algumas categorias.

Na pandemia, foi necessário esvaziar mesas de trabalho, esquecer aquele almoço ou happy hour com os colegas, abrir as salas de reunião virtuais e despedir-se dos colegas de trabalho sem saber quando seria possível reunir presencialmente.

Exige-se muito trabalho e estrutura tecnológica e sobretudo, equilíbrio emocional para enfrentar agora os dias mais restritos de interação social, calor humano. Assim, a importância de buscar ferramentas e programas para que as pessoas possam interagir e compartilhas experiências.

Em contrapartida, foi possível expandir o leque de pessoas e talentos, com a chance de contratar as pessoas sem necessariamente pensar no local em que moram, além de economia de custos e despesas do local físico do escritório.

b) Modelo híbrido

Trata-se de um modelo de trabalho à distância que consiste em exercer suas atividades de forma mista, ter que se deslocar ao escritório em um ou dois dias por semana e os demais dias trabalhar à distância.

Esse modelo de trabalho também gera certa economia nas despesas do local de trabalho, pois pode-se fazer o revezamento e compartilhar de mesa e materiais. Outro ponto importantíssimo é a interação social e a manutenção de qualidade de vida do funcionário, que continua tendo a opção de trabalhar de qualquer lugar que estiver em alguns dias da semana. Isso traz liberdade e mobilidade.

c) Modelo escritórios expandidos – “hub” e “spoke”

Trata-se de um modelo de trabalho em que os centros de trabalho se expandem para os principais bairros ou regiões, a partir do centro. Assim, a empresa investe em diversos escritórios remotos que atende os funcionários em diversos locais.

Esse tipo de modelo é uma variante do modelo híbrido, no entanto, não mais utilizando um único local de forma centralizada e sim numa espécie de “filiais”. Deste modo, os funcionários têm mais mobilidade, bem como gastam menos tempo para deslocamento até o escritório central.

Afinal, qual o melhor modelo?

Os modelos acima apresentados fazem parte de um rol exemplificativo, não taxativo. Existem diversos modelos e o incrível dom que temos de adaptação pode trazer outras soluções para suprir cada necessidade.

O que sabemos é que não existe o certo e o errado neste caso, mas sim o modelo que mais se adequa para cada empresa e funcionários.

Deve-se levar em consideração diversos pontos, principalmente a sua área de atuação, que é um dos principais definidores para escolher o melhor modelo de teletrabalho. Há necessidade de manter um espaço físico? Há atendimento ao público? O seu produto pode ser levado e se adequaria para o mundo virtual?

Além desses pontos, outra questão importantíssima é o risco assumido por cada empresa em relação a questões sociais, não apenas pensando na economia do trabalho remoto, mas questões de ergonomia, jornada de trabalho, reembolso de despesas extras decorrentes do modelo de trabalho.

Como dito, em qualquer modalidade existem vantagens e desvantagens, o que não se pode é fechar-se para as transformações que a globalização e tecnologia estão nos proporcionando. Seja de que modo for, o que deve prevalecer é o respeito aos princípios básicos e dignidade.

 Não evoluir por questões de dúvidas, estranhezas ou preconceitos é uma crença limitante. Portanto, devemos ter em mente que o trabalho é o que se faz, não ao lugar onde se faz.

 

 

Kelly Demuth Sato é advogada trabalhista e sócia de Crivelli Advogados