“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”

A retirada de direitos das relações de trabalho tem gerado reflexões aos que, de alguma forma, têm esperança de ver uma sociedade mais justa, equilibrada e solidária. 

Sob este prisma, a consciência pública coletiva, através da educação e informação adequada, é ponto central no avanço democrático, considerando que quanto mais informação o cidadão (trabalhador e trabalhadora) possui no local de trabalho, maior grau de compreensão pressupõe que haverá. 

“Pressupõe”, pois nem todas as informações levam à compreensão exata, uma vez que podem ter sido manipuladas ou induzidas a interpretações que não expressam, exatamente, o pano de fundo da educação.

Nesse sentido, basta ver que uma empresa, para provocar o pensamento positivo de alteração na rotina de atividade diária dos trabalhadores, poderá, por exemplo, valer-se de figuras com alto grau de influência sobre os demais de modo que estes defendam a importância das mudanças, ainda que de importantes, estas não tenham nada. 

De igual forma, o mesmo pode ser citado no caso de alterações na lei que prejudiquem os colaboradores, mas que de forma instrutória – sincronizado com o interesse do patrão –, através de reuniões internas, atreladas às populares “conversas de corredor”, prolifera no ambiente de trabalho uma coisa positiva e de importância. 

Pois bem. A educação é um processo que começa pela tomada de consciência crítica que evolui para a formulação de projeto próprio de enfrentamento dos problemas conscientizados e sublima-se no reconhecimento da necessidade de organizar-se de modo competente (Naura Syria Carapeto Ferreira).

A clássica frase do educador Paulo Freire simboliza bem esta essência: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. 

Ou seja, na relação de emprego, isso não poderia ser diferente, somando-se a uma consciência moral coletiva, de modo a conhecer a realidade do local de trabalho, o que permitiria pensar possibilidades e construções de mudança.

Vale dizer, há necessidade de o prestador de serviço ter consciência de um conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria, para poder pensar a respeito (Émile Durkheim). 

Como fragilidade dessa informação, cabe um parêntese. Em recente pesquisa elaborada pelo Datafolha sobre a reforma trabalhista em vigência desde novembro de 2017, 15% disseram estar bem informados, 36% mais ou menos informados e 10% mal informados.

Uma parcela de 39% declarou não ter conhecimento o sobre o assunto — o índice é mais alto entre os mais jovens (47%), entre os mais pobres (47%), entre os menos instruídos (55%) e entre os moradores da região Norte (49%). 

Ora, os trabalhadores devem buscar o aprimoramento, através da informação adequada sobre as atividades que desempenham, como também conhecer quais fatores os perseguem diariamente na sua rotina de trabalho – atrelado ao fato de se organizarem coletivamente –, sob pena da tentativa de educação e amadurecimento não evoluir. 

Quanto menor o grau de educação e informação no local de trabalho, menor será a consciência coletiva e, consequentemente, menor o grau de construção democrática desses autores reais da sociedade. Caso contrário, o mercado explorador de mão de obra, continuará exercendo a sua capacidade de cobrança e influência, o que afeta direta e, consequentemente, o processo de amadurecimento democrático dos trabalhadores. 

Disse Joaquim Araújo da Silva na poesia O que é educação?: “A educação é um processo / De integração e habilidade / Capacita o homem no todo / Na teoria da complexidade”. 

Portanto, a educação e informação adequada no local de trabalho leva ao amadurecimento e avanço democrático, capaz de garantir a realização do verdadeiramente humano, ao passo que todos tenham possibilidades de desenvolver-se como seres fortes intelectualmente e ajustados emocionalmente, sobretudo, na relações e ambiente de trabalho.

Ao contrário disso, a sociedade puramente mercantilista prevalecerá, evitando a reflexão crítica de modo que a parte fragilizada continuará sendo explorada e vencida pela parte mais forte da relação, qual seja, a empresa.

André F. Watanabe — Advogado e sócio do escritório Crivelli Advogados Associados

http://www.administradores.com.br/noticias/cotidiano/educacao-e-consciencia-coletiva-no-local-de-trabalho/122943/