Fotos: Sindicato dos Condutores de Campinas

O ano era 1984. O Brasil fervilhava com a possibilidade de retomar sua democracia com eleições diretas. O povo estava nas ruas e o processo de redemocratização avançava a passos largos.

Trabalhadores e trabalhadoras eram puxados pelos fortes movimentos sindicais localizados em todo o país. Em São Paulo os focos estavam principalmente no ABC paulista, Osasco e na cidade de Campinas.

No mês de outubro daquele ano, após a massiva manifestação pelas Diretas Já realizada em maio na Praça da Sé, profissionais das empresas de transportes de Campinas aprovaram uma pauta de reivindicações bastante vantajosas para os trabalhadores.

Liderados pelo Sindicato dos Condutores de Campinas, motoristas, cobradores, mecânicos, borracheiros e outros profissionais pediam redução da jornada de trabalho, pagamento integral da inflação, aumento real nos salários, passe livre, uniforme gratuito e fim do ressarcimento em caso de batidas ou assaltos.

E após uma manifestação pelas principais ruas da cidade – que reuniu centenas de trabalhadores – a pauta de reinvindicações foi entregue às empresas de transporte. O ato levou uma das empresas a demitir sete profissionais que participaram do movimento.

Como reação o sindicato e mais de uma centena de trabalhadores realizaram um movimento paredista de dois dias. Não foi fácil. Houve muita pressão e truculência da polícia. Mas a greve fez a cidade de Campinas parar sem seu principal meio de transporte público.

A união dos trabalhadores, a luta e a resistência deram resultado: Sem alternativa os empresários cederam e os trabalhadores conquistaram todos os itens reivindicados na pauta e mais a criação de uma Comissão Salarial, que tinha como objetivo garantir a estabilidade de seis meses aos trabalhadores participantes da paralisação e a recontratação dos sete profissionais demitidos.

E para celebrar esse importante momento o Sindicato dos Condutores de Campinas está realizando desde o mês de setembro uma série de eventos comemorativos que incluem ciclos de debate, exposições fotográficas e exibição de documentários.

Um dos motoristas da época e membro da Comissão Salarial de 1984, o ex-tesoureiro do Sindicato dos Condutores de Campinas, Juarez Bispo Mateus, lembra que a união, a organização e a resistência dos trabalhadores foi uma das grandes lições da greve de 1984. 

Ele lembra com saudosismo de um tempo de unidade e participação dos trabalhadores. Segundo Juarez, o movimento sindical atual precisar investir em formação de novos dirigentes, introduzir uma nova forma de comunicação e fazer uma organização de base, democrática e solidária para recuperar o terreno perdido nos últimos anos.

Já o sócio de Crivelli advogados, Ericson Crivelli – que participa das celebrações – lembra que a greve histórica de Campinas em 1984 é exemplo para as novas gerações e não pode ser esquecida jamais. “Precisamos resgatar a história de luta do movimento sindical e dos trabalhadores. Esse ato está na memória afetiva do povo campineiro e precisa ser lembrado e passado adiante”, finaliza.